a filha do vento.

E assim será...
E como nada é por acaso a vida seguirá no caminho que tiver que seguir como se nada e tudo tivessem acontecido.
Destino ou acaso seguirão seu rumo para se encontrar e se esbarrar e cair e tropeçar se erguer cair e vomitar e tudo terá seu próprio tempo sem que nada dure... para sempre
A vida tomará o caminho das ondas de ar como o espirito dos ventos determinou e tal como um juiz, decidiu por ela que esse seria o caminho. Não há um herói para ela e todos, absolutamente todos, são
vilões .
A vida seguirá porque não para de seguir, porque não para, porque continua, porque atropela e porque devora, assim como o tempo e nos digere  - lenta ou rapidamente -, mas como o tempo é relativo, sobre isso não se pode dar um veredito ou fazer juízo de valor. Não se pode determinar nada, além da verdade, que doí, mas não a negamos quando a negamos, porque o desprezo pela veracidade é também seu desejo. O desejo pela verdade é o masoquismo inegável que alimentamos porque somos humanos e isso significa ser auto-torturadores. Menos para ele, que decidiu não se torturar, egoistamente escolhendo a tortura dela.
Não que se possa dizer que qualquer mágica metafisica tenha deixado de existir, porque  as coisas ainda corroem como o ácido que faz escorrer o brilho e o renova, do meso modo que se pole uma panela: destruindo camadas de metal para deixá-lo mais bonito. Res-plan-de-cen-te.
Não que se possa ignorar o efeito psico-químico-fisco-biológico e suas consequências e por isso eles se mantem apart - para evitar que qualquer coisa impeça as decisões da natureza.
E tudo passa, pois assim corre o tempo. E se tudo passar tudo irá se decompor numa velocidade inacreditável para quando virmos em câmera acelerada no final da vida, mas por agora, vivendo, estamos desacelerando e prosseguido.  Digerindo. Meticulosamente. E
desexistindo.
A lagrima escorre e se esvai um pouco da dor que, como a cabeça de uma hidra se multiplica e se expande até que não reste nada da menina dos olhos. Inteiramente consumida.
A água gelada . O vento. O ser humano em negação. = Sobrevivência. E o tempo. A trilha sonora será um violino chorando as lágrimas que se esgotaram porque ela esta desidratada e já não possuía uma marca sequer dele em seu corpo, mas se pergunta se alguma das suas ainda está nele e se qualquer outra as verá em breve e se elas desaparecerão a tempo de ele ter outra e se a outra se perguntará quem fez aquilo nele e pensará, que ele talvez pertença a outro alguém e se ele consegue não pensar  nela. A menina dos olhos se pergunta se ele pensa; ela pensa.
E talvez não conseguisse parar de olhá-lo se se encontrasse em suas madrugadas ensolaradas quando ela acordava primeiro e contempla-o com todos os sentido do corpo humano. No seu próprio mundo.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::(o silêncio do luto; de quem procura palavras)::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Tudo vai seguir.
Acordaremos todos na manhã seguinte.
E o tempo vai con-su-mir.
O tempo vai se mostrar.
E as cicatrizes jamais serão esquecidas e os olhos ainda serão cruelmente honesto com a crueldade praticada pelos seres humanos que, na verdade, é apenas suas vidas, enquanto eles apenas
vivem.

lar é onde estão aqueles que você ama estão



   Do ponto mais alto do castelo era possível vê-lo por inteiro; as construções, os parques recreativos e os campos. Ela observava a vida seguindo abaixo de si, contando os dias para abandoná-lo. O tanto que desejava deixá-lo era também o tanto que desejava jamais se afastar do reino a beira mar.
   Ela era única que permanecera nos oito anos que se passaram. Seus amigos haviam migrado para outros reinos - alguns há muito tempo, outros, deixaram este ainda há pouco.
   Não os culpava por deixarem-na. Sorria tranquilamente ao pensar nisso. Eles simplesmente foram conquistar seus sonhos e isso só podia ser feito em outros lugares. Mas o sonho dela estava ali.
   Nos últimos tempos, aprendeu que a história se repete e jamais é a mesma. Mas quem poderia negar que aquelas crianças agiam exatamente como ela mesma agiu com seus amigos há tão poucos anos atrás? Achava curiosa a mania adolescente de achar que sabe muito e ainda mais...
   Mas seus sorrisos eram tão apaixonados pela vida quanto o dela próprio já foi.
   Não lamentava mais nada. Houve o tempo para sentir dor, para chorar, para se sentir sozinha. Estava completa, enfim, porque a distancia não fazia deles menos parte dela. Na verdade, a distancia a ensinou a amá-los ainda mais, ainda que os terremotos, deslizamentos e erupções vulcânicas tenham destruído tudo. Amou-os ainda mais porque ela reconstruiu sua cidade nobre das cinzas e a reconstruiria quantas vezes fosse preciso. As pessoas passam por nossas vidas e deixam um pedaço de si conosco - um pedaço que nos ajuda a reconstruir os castelos.
   Eles riam ao pé de uma colina nos campos; alguns corriam, outros estavam deitados... O som de suas risadas era tão igual aos sons de suas lembranças que se fechasse os olhos poderia fingir que nada jamais mudou. E sendo honesto contigo, leitor, muito dela queria fingir que o tempo não passou, descer as escadas e se unir as crianças para fazer a magica durar um pouco mais. Pois para todos nós é difícil dar as costas para aquilo que mais amamos, mas ela também sabia e queria voar porque enfim, encontraria os seus.
  E estaria em casa.

Aos meus velhos e novos amigos.

só hoje



hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito




    Cabeça encostada à janela do ônibus.
    O dia está nublado, mas ela não o vê. A imagem que dança sobre seus olhos é a cor da pele - mel com chocolate - dele, quando o verão acabava. No primeiro abraço do ano ela abria os olhos para a nuca doce do amigo, incentivada pelo seu cheiro.
    Era quando a saudade mais queimava e no seu ápice começava a ser domada.
    As vezes ela sentia aquela mesma saudade e numa resposta biológica automática, o nariz avermelhava e a boca melava. Em sua mente, se via correndo, desesperada para vê-lo abrindo o portão de madeira branca e com seu jeito sem jeito, aproximar-se pedindo que ela o abraçasse.
    Trincou o maxilar de olhos fechados - ainda bem que já estava quase chegando em casa. 




Ao som de Só hoje, Jota Quest.                                                                          só hoje - 1

absorver






            Eu te absorvia. A cada detalhe de cada movimento. Cada traço. 
            Eu te absorvia. Vigiei cada um dos seus movimentos e escolhas.
            Eu te absorvia. Velei por ti até nas horas mais escuras.
            Eu te absorvia. Estive invisível e silenciosamente ao teu lado.
            Eu te absorvia. Fui o esteio imperceptível.
            Eu te absorvia. Até você se e me transformar em mim.
            Eu te absorvia. Gra-da-ti-va-men-te se tornando outro você.
            Eu te absorvia. Até eu te absorver.


brooklyn baby


Ela era beat.
Uma caneta prendia sua massa de cabelos enquanto ela escrevia versos e linhas em seus pulsos.
Rolava uma vibe de drogas em seu sangue e uma larica de açúcar.
Um punhado de decisões ruins faziam a sua história que, os eruditos, considerariam promiscua por desafiar a moral que eles acreditam ser regra mas, é falsa.
Ela era a brisa que a carregava, sempre julgada como imatura e mais esperta do que podiam prever. Tão esperta que habilmente se disfarçava de tola.
Com olhos ferozes, absorvia tudo e dançava suave como as águas de um rio. E suave também era o veneno que ela distribuía naquele que se aproximavam demais.
Ela era poesia.
Mordia os lábios quando estava pensando e costumava fitar o nada quando ninguém estava por perto, porque na presença de outros seres humanos fazia questão de olhar a todos nós olhos para enxergar seus caráteres.
Uma vida de riscos, uma vida de aventuras, uma vida de limites avançados e regras quebradas.
Se envolvia demais e os outros por ela, mas quanto mais apaixonados eles estavam, mais ela se desencantava.
Ela é julgada por suas cores e não por sua alma. Eles acham que ela é o corpo e não aquilo que o preenche. Mas ela é a energia que a move. A vitalidade que a leva para longe de casa e que deixa os seus preocupados com sua segurança. Porque ela gosta de se submeter ao imprevisível.
Ela gosta de estar entre aqueles que ainda que não a entendam, são plenamente capazes de viver com ela e apreciar sua beleza divergente.
Ela era prosa.
Versos de uma história que se rasgava e tomava rumos ondulantes como fitas ao vento.
Ela sabia seu caminho e não mais brincava de viver. Vivia. Fresca como só os de sangue jovem podem ser, mas escorada como só alguém que já se deparou muito com os pecados poderia se tornar.
Tentadora pelo conjunto, ela esmagaria seu coração.
E você deixaria.

youngblood

Eu preciso de uma mudança.
Que seja algo físico como um novo corte de cabelo ou uma nova cor do mesmo. Que seja algo metafísico como uma nova crença ou um transformação de filosofia ou ideologia ou qualquer coisa relativo as minhas ideias.
Eu preciso de uma mudança. 
Preciso de um banho de água gelada para lavar o suor e um banho de água quente para aquecer minha alma fria. Me sinto esvaziada a cada segundo. Me sinto vazando. Sinto meu corpo dormente. Não sinto nada.
Eu quero desesperadoramente sentir. Quero ser ferida. Quero ser sentida. Quero amar, odiar e ser traída. 
Eu quero a vida. Quero os canais Veneza e as boates escuras e clandestinas de Bristol, as drogas e a prostituição de Amsterdã, quero a vida despreocupada e fútil das adolescentes americanas com seus carros luxuosos, quero os trabalhos e a fome africana, quero as burcas Asiáticas e as orações e templos Hindus, quero o frio cortante da Rússia e toda a vodka que puder me esquentar, quero as águas quentes do caribe e o sol queimando minha pele com a brisa que refresca e engana, quero os animais exóticos de todos os cantos e as comidas que consideram grotescas, quero o socialismo alfabetizado de Cuba e ser ferida por um dos 1 milhão de soldados do exercito chines. Quero amar vários corpos e ser amada por eles. Meninos, meninas, meninos-meninas e a natureza.
Aventuras.
O mundo que eu posso descobrir. Quero voar por ele com o pó da Sininho. Eu não preciso de asas, nem de companhia. Só preciso de liberdade. Preciso não crescer.
Eu preciso de uma mudança.
Preciso me apaixonar perdidamente e doar cada uma das minhas células a essa pessoa. Preciso de um romance de tirar o fôlego. Preciso de um romance de tirar a razão. Preciso de um romance autodestrutivo.
A dor é tão bem vinda quanto o carinho. 
Então me bata, porque eu só quero sentir algo e parar de fingir que tudo nunca aconteceu. 
Eu preciso de uma mudança.

a historia da nossa vida

Ao som de Story of My Life, One Direction


Estou escorrendo por dentro. Chorando internamente as lágrimas que meus olhos se recusam a permitir que escorram. 
A historia da minha vida é feita de coisas que eu não consigo mudar e não mudaria, porque fizeram de mim quem eu sou. Mas há dias em que eu imagino como seria se eu tivesse escolhido a direita ao invés da esquerda e vice versa, indo em qualquer direção contrária a que eu de fato fui. Me pergunto porque gostaria de saber se esses cinco anos seriam cinco anos de nós e não de eu & você.
Eu não estou te esperando, mas se você vier, eu estarei aqui. Eu estou sempre aqui. Eu e você, querendo e não querendo um ao outro ao longo de um terço de nossas vidas.... 
As vezes me pergunto se é fantasia o modo como te vejo e se as coisas que penso conhecer sobre você são falsas. Mas se eu olho por um segundo nos seus olhos de por do sol, eu sei que não é ilusão, mentira ou ficção. Eu sei que te enxergo assim como você me enxerga.
E sinto egoistamente que você é, ainda que em pedaço, meu, como eu, em pedaço, sou sua. 
Toda garota quer um romance de tirar o fôlego. Eu ganhei um romance de tirar a razão. Devemos ter cuidado com o que desejamos. As minhas e a suas vontades nós assombram por toda a nossa historia.
Eu juro que eu tento me apaixonar por outros e as vezes consigo, mas você esta onipresente em todo o tempo, como um animal caçador, esperando pelo vacilo da presa para atacar e me fazer desmoronar de novo por você.
Esta escrito e perpetuado, a história das nossas vidas foi feita do desespero que nos torna tão dependentes um do outro. E das palavras que eu amo, mas nunca serão nunca capazes de explicar o que eu sinto por você e tudo que eu faria para te ver feliz.
preciso confessar: estou congelando e gradativamente quebrando. Acho preocupante porque sei que o único capaz de derreter os pedaços e uni-los é você. Me unir em um abraço, um dos abraços de milhões de anos que nós damos, quando eu apareço na sua porta desesperada por cinco minutos ou quando você me procura tímido pedindo pelos mesmo cinco minutos.
Estou preocupada de perecer. Estou preocupada de não existir até vocês acabarem. Até eu ter uma chance.
Estou preocupada de jamais haver um dia em que eu não te ame.
As paredes assistiram a tudo e se falassem, contariam melhor do que nós tudo que viram e nós vivemos. 
Eu queria ter te abraçado mais forte, queria ter olhado mais tempo nos seus olhos, queria ter ouvido mais a sua voz, queria ter sentido mais do seu cheiro e honestamente, provado novamente seu gosto.
A historia das nossas  vidas são todos esses anos em que destruímos e reconstruímos um o outro, caçando nuvens como se elas fossem resolver o impossível. 
Mas eu já te disse tudo que deveria e sei que no tempo certo tudo se encaixará. E sei também que tudo pode sair do lugar. E me conformo porque nada é por acaso.
Eu conto abraços e não anos. Conto sorrisos. Conto risadas. Conto até as lágrimas. Mas não conto o tempo, não conto os cinco anos que estamos envolvidos nas ondas. Conto as vezes em que estivemos juntos. Conto aquilo que faz genuinamente nossa história:  eu conto nossos sentimentos.

Quase lá

   Frustrante não é uma palavra boa o suficiente para descrever a decepção. 
   Mas que culpo eu tenho se acordo com a mão estendida, desesperada para alcançar meus sonhos? Que culpo eu tenho por acreditar?
   Na verdade, creio que não sou a acusada e sim, a acusadora, por apontar o dedo para a vida e perguntar: por que agora?
   Todos queremos atravessar a porta que foge, ver o cachorro falecido, a cara do desconhecido e por isso esticamos a mão. E esticamos mais. E continuamos esticando, até não poder mais. Ao cair, aqui estamos sentados numa possa de suor e lagrimas e gritos.   Diante do inexorável e derradeiro fim.
  Diz-se que não faz sentido o afastamento daquele objetivo que estamos prestes a conquistar, no momento que estamos mais próximos dela, mas faz. Mas faz, pois quanto mais perto chegamos, mais nós queremos o prêmio e quanto mais difícil for para conquistá-lo, mais valor daremos a ele.
  Mas a frustração de perdê-lo é água fervente sobre o corpo. É banho de ácido seguido por escamação.
  Perdê-lo para a injustiça, para a mentira e para não merecimento.
  Perder. Palavra pesada de conotação definitiva. 
  Perder: o derradeiro e inexorável fim.

Blood red, baby


Era exatamente igual a ser baleada. 
Veja bem, eu nunca tomei um tiro, mas assisti a filmes suficientes pra saber sobre o impacto, o momento em que o seu corpo registra o objeto estranho a seu sistema e começa a vazar.
Pois bem, eu vazei. 
Pelos olhos.
Não me acuse de ser dramática!- afinal, errada não sou eu que demonstro minhas emoções e sim todos aqueles que tem vergonha de demonstrar as suas.
Mas eis a questão: como não vazar? 
É realmente complicado, temos que admitir, ter em si ferro em brasa atravessando o peito. Entretanto, o pior da dor é querer senti-la. Se submeter a ela apenas pelo prazer de conhecer todo aquele elemento e o que ele provoca. É o prazer da dor, que nasce da necessidade humana quase tão básica quanto as necessidades animais: saber. 
Falha nossa, humano individualistas, obcecados pelo conhecimento que bem sabemos, pode nos matar. Mas quem disse que nos refreamos, que pensamos se quer uma vez antes de provar? Basta um nanosegundo e um ser humano pode implodir com as descargar de hormônios libera por toda a ação que ele esta vivendo sem se quer se mover - as vezes, sem se quer respirar. 
Ah, sem falar do ato de remover o ferro. Esta dor é que não gostamos, pois temos de nos convencer a tirá-lo, mesmo sabendo que só removendo-o que a ferida irá sarar. Mas queremos sarar? Falha nossa, humanos masoquistas, que gostamos de sofrer. Devemos ser o único animal viciado em autoflagelo por nos atermos tanto a sentimentos negativos. 
Bem aventurado aquele que disse "a ignorância é uma benção".
E o que eu poderia dizer diante da dor? Que quis me rasgar, que quis quebrar o que estava na minha frente, que apagar minha própria consciência? Não posso, pois isto ainda está longe de definir aquilo que senti. 
E o que sempre sentirei, pois nunca se esquece de um tiro. Ferida cicatrizada é nada: basta cutucar e a cicatriz volta a jorrar.
E eu volto a vazar.

Perseverança

Rio de Janeiro, 28 de julho de 2013

Caro amigo,
Você tem um sonho? Uma grande objetivo que deseja alcançar - mais do que isso: algo que faria sua vida completa?
Ou melhor, você sabe qual é o seu grande sonho? Acredito que todo mundo tenha um, alguns só não descobriram qual é.
O problema dos grandes sonhos é que em geral as pessoas não levam fé neles. Geralmente te dizem que você esta desejando algo que esta além da sua capacidade e que você não tem o tal "pé no chão". As vezes são os pais que dizem isso, as vezes são os "amigos", as vezes nós mesmo dizemos isso porque temos medo de enfrentar qualquer luta para conquistar algum sonho porque temos medo de não conquistar nada e  por tanto, não lutamos.
A verdade é que não há nada mais horrível do que esmagar os sonhos de alguém - não há nada mais baixo.
É realmente terrível quando isso acontece, seja porque a pessoa que te diz para desistir não alcançou os próprios sonhos, seja por inveja ou por um falso conceito de proteção que ela tenta por em prática.
Porque lutar por sonhos não é sobre conquistá-los e sim a tentativa de alcança-los. É sobre o processo. Eu acho que as pessoas que conquistam seus sonhos são aquelas que lutariam tudo de novo mesmo que não ganhassem nada, porque isso mostra quanta paixão elas tem por aquilo que desejam. E a paixão é o combustível, não é?! A inspiração.
Thomas Edison estava absolutamente certo quando disse que é 1% de inspiração e 99% de perseverança, mas o que eles esqueceu de mencionar é que esse 1% por cento de inspiração é o que faz todo os 99% de perseverança existam. É o que move o lutador na guerra por sucesso.
Sonhos - todos os tem. Alguns são grandiosos e outros são simples.
Não vou mentir para você amigo, a luta pelos nossos sonhos é árdua. Sei disso porque estou lutando pelo meu grande sonho com tudo que eu tenho. Luto por ele com tanto amor que morreria por ele, e sei que quando eu o conquistar eu serei a pessoa mais feliz do mundo.
Eu admiro os sonhadores pela força de vontade de um dia serem tão felizes que poderiam explodir de emoção assim como um balão explode quando é enchido demais. A felicidade que se alcança ao conquistar um sonho não é o mais especial a respeito deles, mas ainda é indescritível.
Eu gostaria que você se sentisse assim um dia.
Eu não sei qual é o seu sonho amigo, você pode me contar se quiser. Eu gostaria de ouvir e também de te ajudar a conquistá-lo. É difícil, mas eu ficaria feliz em te ajudar e lutar contra a maré.
E vencer.

Com amor, 
Luna.

Dias de Glória

Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013



Caro amigo,
Eu estou ficando velha.
Antes de você perguntar se eu estou fazendo aniversário ou exclamar que eu só tenho 17 anos, eu devo explicar que tenho uma forte tendencia a começar com frases impactantes pois acredito que o principio define o fim.
Eu vi um episódio de uma série que eu adoro hoje, e um dos personagens disse para o outro "Fique nos 16 o máximo que conseguir".
Acho que existe alguma coisa mágica em fazer 16, melhor do que fazer 18, porque é o auge da adolescência onde você ainda pode ser irresponsável e errar, e tem liberdade para se aventurar. Infelizmente, crescer é assumir muitas responsabilidades para as quais não estamos preparados e perder parte do frescor imprudente que só os adolescentes possuem.
Embora eu tenha "só" 17, eles vão passar por mim mais rápido do que eu desejo, embora eu de fato aproveite; eu não quero que esses dias acabem. No fundo no fundo, todos queremos ser jovens para sempre.
Talvez devido a uma consciência coletiva  de que nada jamais será tão bom quanto é agora.
Encontrar um amigo na entrada que não se espera ver, não resistir ao sono e dormir na aula,  marcar um ponto num esporte que se é péssimo e ser aplaudida pela turma, ler no sol nos tempos vagos, tirar um cochilo no sofá da sala de história e ser acordada por alguns dos seus professores preferidos te tacando clips a distancia, virar madrugadas estudando na semana de provas, tirar notas altas depois de se esforçar, pedir o biscoito de alguém, ficar com alguém escondido dos inspetores, o colégio inteiro sabendo que você ficou com aquela pessoa, o dia em que as férias começam e também o dia em que elas terminam porque inevitavelmente todos sentem saudade da escola.
São os melhores dias da minha vida. Os melhores dias das nossas vidas. São dias de glória. Podemos aproveitá-los ao máximo como o ultimo limão disponível uma limonada, extraindo todo o suco, ou desperdiçar o ultimo refresco por considerá-lo insuficiente. É uma escolha.
Se eu não posso fazer durar, quero me lembrar desses dias sabendo que eles não poderiam ter sido melhores.
E estar em paz com isso.
Espero que você esteja aproveitando seus dias de glória amigo.

Com amor, 
Luna.

Sussurro

Rio de Jnaeiro, 26 de julho de 2013

Caro amigo,
Terminei de ler um livro  agora - alias, terminei outro livro. Nessas férias tenho lido muito e agradeço por isso, já que em época de aulas quase não tenho tempo de ler.
O livro que terminei se chama Murmúrio. Eu gosto dos títulos que  a autora costuma dar para seus livros e da mensagem de cada um deles, afinal, como dizia Victor Hugo, o livro tem um papel social - não se escreve por escrever e sim por um proposito.
E concordo com a autora, as vezes nos preocupamos demais em escutar a voz da multidão e não damos atenção aos sussurros do nosso coração. Eu não nego que ser festejado proporciona uma ótima sensação, porque faz com que aquele que a gente se sinta notado num mundo habitado de pessoas "invisíveis". Mas tentar agradar os outros e desprezarmos quem realmente somos nunca é uma coisa boa, principalmente quando cada um de nós esquece quem é.
Acho isso uma questão preocupante.
A cada dia eu vejo uma pessoa diferente se transformar, deixando de ser alguém autentico para atender as necessidades  de entretenimento dos outros, copiando um padrão de comportamento que o grupo em que ela quer ser aceita pratica. Porque essa pessoa acha que eles são amigos dela ou ela quer ser amiga deles. Porque ela quer se destacar. E no final ela se torna só mais uma.
O que é irônico, porque as pessoas mais se destacam quando menos tentam agradar.
Eu acredito piamente que cada um tem seu brilho e que cada brilho é único. Se aquele grupo não gosta de você porque você é diferente deles, que importa?! Acho que quem perde são eles.  Acho que amizade vem com uma clausula implícita de aceitação - quem é nosso amigo não vai pedir para ignorarmos nossa essência, só para que fiquemos parecidos.
Mas antes de ser aceito pelos outros, cada um tem que aceitar a si mesmo. Uma coisa não pode ser conquistada sem a outra. É como o que dizem sobre o amor: antes de amar os outros temos que amar a nós mesmos.
Se você tenta agradar a multidão, amigo, eu te aceito do jeito que você é. Não se preocupe em tentar me agradar - comigo você pode ser você mesmo.

                                                               Com amor,
 Luna.

A primeira peça

Rio de Janeiro, 25 de julho de 2013.

Caro amigo,
Ou amiga. Eu não sei bem quem você é e provavelmente você também não sabe quem eu sou.
E talvez seja melhor assim.
Mas antes que você se perca eu vou explicar porque estou te escrevendo.
Eu li um livro nessas férias sobre um cara que gostava de fazer acontecer e um outro livro sobre um garoto que escrevia cartas para um amigo anônimo. E eu percebi que ao escrever ele estava fazendo acontecer mesmo que estivesse apenas relatando o que ele observou, porque o que ele dizia inevitavelmente afetava o amigo que lia suas cartas. E eu pensei: por que eu não escrevo também?
Uma amiga minha certa vez disse que eu percebo coisas surpreendentes. E acho que é egoísmo da minha parte não compartilhar essas coisas. E permitir que você compartilhe de volta o que você pensa.
Porque fazer acontecer é também aprender e ensinar. E é isso que eu pretendo com essas cartas se alguém estiver disposto ao menos a lê-las.
Você pode estar pensando que na verdade pretendo me sentir importante como se eu fosse uma grande sabichona que quer se exibir. Mas não, eu não quero.  E também não estou tentando imitar o garoto do segundo livro. Mas acredito que tudo que fazemos funciona como uma grande cadeia de dominós e que sempre que fazemos ou pensamos algo, uma peça é derrubada e você pode atingir o mundo todo. É claro que o ultimo não será tão afetado quando o primeiro, mas antes pouco do que nada.
Acho que fazer acontecer é fazer a diferença. Na sua própria vida ou na de outras pessoas.
Então eu queria dizer que estou feliz em ter feito um novo amigo. Feliz que você tenha se tornado meu amigo.
 É, VOCÊ - criança, adolescente, adulto ou senhor; pertencente ao sexo feminino, masculino ou intermediário; crente em qualquer religião; tendo qualquer opção sexual.
É um prazer te conhecer.

Com amor,
Luna.

Me desculpe

Meu querido,

Em breve, devolverei suas coisas. 
Assim que lavá-las, todas. 
São suas, não minhas, por tanto, não devo ficar com elas. Isso inclui o numero do seu celular, mas não posso prometer que o esquecerei - é difícil esquecer um numero que já foi discado tantas mil vezes.
Devolva, por favor, as minhas também. Sei que o que é meu com você não se compara ao que é seu comigo. Não deveria ter deixado nada seu ficar. O problema é que a cada coisa que se instalava por aqui eu me sentia mais sua e isso ia me dando um sentimento bom, gostoso, sabe, de me sentir em casa mesmo que a minha própria casa não fizesse eu em sentir assim. 
Dai eu fui me acomodando e deixando estar, mas não se preocupe, eu vou devolvê-las. Não sou ladra, sou apenas solitária. Tenho que aceitar minha sina.
E por falar em aceitar, não vou mais impor que você mude. Seja do jeito que você acha que deve ser. Quem sou eu para dar conselhos aos outros? Quem sou eu para dizer que devemos sempre melhorar? Talvez quem quer que você seja, seja muito melhor do que eu jamais serei. 
Eu não deveria depender de você nem te frustrar assim. Mas você sabe como é minha realidade, me desculpe por procurar alguém que você seguro para mim, um mastro para me agarra em meio a tempestade. Não foi justo fazer você disso, mas eu acho que eu nunca vou poder amar ninguém que não assuma esse papel para mim, porque quem deveria assumir não assume. 
Não há porque continuar vivendo assim. Sendo triste. Não, não vou mais te importunar com as minhas idéias revolucionárias nem meu animo para fazer o mundo ser um lugar melhor. Acho que eu devo mesmo é fazer alguma faculdade que em ensine a me conformar com a realidade do jeito que ela é e parar de lutar contra o sistema. Talvez eu deva ser acomodada como a grande massa, talvez eu devesse ser cega. Talvez assim eu fosse mais feliz. 
Mas chega de possibilidade, o que é certo já esta dito. Desculpe-me caso eu tenha te ofendido. Isso jamais acontecerá novamente. 
Eu já te disse, me ligue se achar que deve. Se não, deixe como esta. Eu inevitavelmente vou saber se você seguiu em frente. 
E seguirei também.

Dores em vermelho


(...) riu sozinha. Ria sozinha quase o tempo todo, uma moça magra querendo controlar a própria loucura, discretamente infeliz.

- Caio Fernando Abreu, O dia em que Júpiter encontrou Saturno





A visão dela estava toldada de vermelho. Havia vermelho em tudo: nas paredes, no chão, nas lâminas, no coração. Escorria de seus pulsos lentamente, levando-lhe a vida. E ador em seu peito.
Ah, dores. Ela as sentia por todo o corpo de modo entorpecedor - era tudo que sentia, quando sentia.
Estava sentada no canto do box, o corpo molhado e os olhos borrados de preto. A água escaldante caia sobre suas pernas encolhidas junto ao corpo, deixando os membros vermelhos. Fumava vagarosamente um cigarro, soprando longas baforadas no ar quente e vaporizado do banheiro.
Deu um trago ao rir sosinha e soprou a fumaça no ar sentindo-se miserável, acabada.
Só queria dormir; dormir para sempre.
Mas nem sempre foi assim. Costumava ser inocente, sonhar com contos de fadas. Despertava todas as manhãs porque acreditava. Agora, sangrava porque sonhava em morrer cedo, sonhava em estancar seu sofrimento. 
Mas se fosse para entregar-se para a morte, que fosse nos braços dele. Que seu lindo rosto fosse a ultima coisa que visse e sua linda e grossa voz a ultima coisa que ouvisse. Estaria conformada e em paz ao partir, se assim fosse. Abandoria a vida e aquele mundo de sofrimento de bom grado, pois de qualquer modo, já não possuia gosto pela vida nem vontade de lutar pela felicidades. Não quando quem ela mais amava dizia que não mais a queria.

Quem saberia?




Ao som de Who Knew, Pink

Eles eram jovens demais para saber que, no final, todos os sonhos que tinham não iriam os levar a lugar algum. E que todas as promessas poderiam ser quebradas, assim como as regras. Mas quem se importaria?!
Eles eram jovens demais para imaginar que se o mundo os levou a se encontrarem, também poderia levá-los a se separarem. Mas se alguém te dissesse que tudo acabaria um dia, mesmo assim, você deixaria de aproveitar aquela pessoa que está do seu lado?
Eles evitaram fazer planos e prometeram não dizer, para sempre, nunca ou jamais, só para não provocar o destino. E de vez em quando, percebiam que sonhavam com o futuro, e secretamente, desejavam que fosse para sempre, que nada nunca pudesse separá-los e que não mudasse jamais. Porque era inevitável.
Uma sensação de vazio tomava a ambos. Ela dizia um adeus sufocado e exausto, porque estava farta de lutar por ele. E ele a via partir, sem saber o que fazer, com algo se afundando em seu peito; não queria perdê-la.
Seria sempre a melhor e mais doce de todas as lembranças, forjada do amargor da dor. Mas ela tinha que ir. Mas não significava que ele não devia lutar por ela. Tinham medo de que fosse tarde demais para salvarem o amor que sentiam, tinham medo de terem errado demais para serem perdoados.
Eram sempre dois caminhos. Eles sempre estavam sempre entre a escolha de partir ou ficar. E ficar parecia certo, mas as vezes doia como o inferno. E partir era uma decisão tomada com a secreta conciência de que aquele caminho, por mais esforçada que fossem suas tentativas de fazê-lo bem sucedido, era impossível.
Porque quando estavam juntos era como deveria ser. Completo. Feliz. Sereno. Era o que era.
Eles teriam dito que todos estavam errados, teriam dito que tudo daria certo. Mas estavam errados.

Se há um ano me dissessem que nós não ficaríamos juntos, mesmo assim eu teria escolhido ficar com você. Eu teria escolhido toda a dor e todas as lágrimas, os momentos de desespero e sufocamento, escolheria até o odio. Eu escolheria ter todas as coisas ruins, só para ter as boas.
Para ouvi-lo dizer que seria meu alicerce, que eu sou uma icognita e um anjo caído. Por te beijar na chuva e dizer meu primeiro eu te amo. Por rir histericamente de cada uma das suas piadas bobas. Por te beijar como se nunca me satisfizesse de você. Por saber que você me amou tanto quanto eu te amei. E por ser verdadeiramente feliz pela primeira vez na vida.
Se me dissessem que tudo ia acabar, eu teria escolhido você.
Mas quem saberia?

Supernova

Parte I - Um sinal?


O carro parou no estacionamento de uma lanchonete beira de estrada, que era margeada por quartos de hotéis de uma noite.
Ela tirou a chave da ignição, jogou na bolsa de qualquer jeito e saiu do carro. Ele a seguiu silenciosamente, a alguns passos de distância, observando-a dar passos largos com suas pernas musculosas no jeans colado. Ajeitou o casaco preto de capuz e entrou no recinto junto com ela.
O ambiente era de tons escuros, possuía uma mesa de sinuca, uma bancada que dava para um bar a frente da cozinha gordurenta e uma fileira de mesas junto à parede. Ela havia se sentado numa dessas mesas, tamborilava as unhas pretas na madeira enquanto olhava a bolsa carteira preta. As ondas de seu cabelo escondiam o decote da blusa cinza.
Ele fitou-a um momento. E depois olhou para o banco vazio na bancada. Olhou para ela e para o banco novamente. Quis esmurrar alguém quando se viu andando até a mesa dela e sentando-se a sua frente.
Houve um som e então ela tirou o celular da bolsa. Sorriu devassamente para tela e digitou algo. Guardou o celular na bolsa sem fechar o zíper e levantou-se para ir ao banheiro. Ele ficou mais do que incomodado, ficou irritado. Observou-a caminhar até a porta, hipnotizado pelos seus quadris e pela arma presa ao cinto do jeans azul. E então pegou o celular assim que a porta se fechou. Vasculhou-o, conferiu mensagens, ligações, ouviu um barulho da porta se abrindo apenas porque o jukebox trocava a música e guardou o aparelho. Manteve-se com a expressão impassível até que ela se sentou a sua frente.
Sua mente trabalhava tentando compreender o que vira, seria aquilo o sinal que ele pedira? 
Ela abriu a bolsa e retirou um cantil prata de seu interior. Deu um gole. Ofereceu-lhe o cantil com um gesto. Ele o pegou e deu um longo gole, franzindo o cenho e fechando os olhos ao sentir o gosto forte do álcool. Com o cantil nas mãos, olhou para ela, que o observava com seus olhos azuis como o céu da manhã, delineados de preto. Ela avaliou-o lentamente, demorando-se em seu rosto: a pele alva brilhava doentiamente sombria nas luzes fluorescentes, os punhos cerrados sobre a mesa, músculos tensos nos braços, o peito subia e descia devido a sua respiração desritmada, suas narinas infladas como as de um animal caçador, maxilar travado, o cabelo preto e liso bagunçado, sobrancelhas franzidas e os olhos de uma íris quase tão negra quanto as pupilas ardiam de ódio. E de amor.

Continua...

Extraordinário.

Não exagero quando digo que sei que elas tem um caracter extraordinário.
Não simplesmente como uma Madre Teresa, Gandhi ou qualquer desses ativistas religiosos ou políticos, mas porque eu assisti elas crescerem, assisti elas amadureceemr a cada ano mais e se tornar alguém que a cada experiência aprende mais com a vida, sendo essa experiência boa ou ruim.
É muito raro ver pessoas que enfrentam tantas coisas ruins e as superam com tanta integridade. Porque coisas ruins acontecem com todos e deixam marcas em nós que nem todo o tempo do mundo seria capaz de apagar, essas coisas nos transformam. E depende de nós fazer com que essa mudança não nos destrua, por pior que tenha sido a situação.
Elas me ensinaram o quanto ser forte é importante, porque mesmo tendo amigos, você é quem faz a diferença no final  e que o valor de uma amizade, tanto para ser matida, quanto para ser conquistada e o quão importa, é tão alto que nem todas as coisas de valor do mundo podem comprar.
E é importante lutar pelos seus sonhos, por mais difíceis ou possívelmente impossíveis, vale a pena lutar. Porque não se trata realmente de conquistá-los, nem do tempo que você leva para conquistá-los ou das consequências de conquistá-lo. Se trata da tentativa, de fazer o seu melhor tendo fé.
E a fé, essa deve sempre nos cegar. A que tudo ficará bem no final, que existe um Deus em algum lugar e que ele cuidará de todos nós, mesmo que nos tire quem mais amamos, tudo tem um porque.
Não devemos nos iludir com coisas inanimadas, inalcansáveis, mas não esquecer que milagres acontecem todo o dia e devemos ter Esperança, porque isso é tudo que nós temos.
Ah, porque os momentos, as pessoas, as coisas, não se repetem. Então devemos fazer o melhor da primeira vez  e aproveitar, mas se ainda assim erramos, não nos culparmos. Apenas retirar o melhor da situação, aprender com os erros e seguir em frente perdoando a nós mesmos e aos outros, porque ninguém erra sosinho.
E por mais difícil que seja perdoar alguém, devemos fazê-lo. Mas perdoar não é esquecer.
E tudo é eterno para quem lembra, para quem mantêm a escência das coisas, das pessoas e dos momentos guardadas em si, mesmo que não haja mais uma presença físca, o que um coração guarda, tempo nenhum apaga.
E fracassado é aquele que desiste de seus sonhos. Pois enquanto você sonhar, será jovem e vitorioso.
Porque a vida é bela sim, até em meio a feiura, sempre há algo no qual enxergar beleza. O nosso interior brilha mil vezes mais do que qualquer refletor. Porque é dentro de nós que esta o que realmente importa no mundo e qualquer um que acreditar em qualquer uma dessas coisas, será um herói, por ver e acreditar na beleza que tanta gente despreza hoje em dia. 
E é por isso que elas são tão extraordinárias. Porque elas são diferentes desses tantos incrédulos. Por que elas acreditam e me ensinaram a acreditar no que realmente importa.
E mais do que tudo isso: elas me ensinaram a acreditar.

Supernova



 Parte I - Passado


Ele andava sem rumo por uma estrada que parecia infinita. O ar frio da madrugada gelava até seus ossos enquanto ele seguia obstinadamente em frente, numa tentativa desesperada de desprender seus pensamentos dos demônios que tanto tentava deixar para trás.
Mas era só passado ─ ele estava seguindo em frente.
Ouviu um rugido de motor antes de sentir os faróis às suas costas. Não olhou para trás, queria permanecer impassível. O veículo ─ era uma velharia azul ─ diminuiu a velocidade ao lado dele, as janelas abaixadas revelavam a bela motorista inclinada sobre o banco do passageiro. 
 ─ Quer uma carona? ─ ofereceu.
 Ele continuou andando, mas sentiu-se tentado a aceitar. Queria ir, mas não devia. Não era certo, não era prudente, não era são e, principalmente, não era seguro 
─ Vamos ─ ela insistiu sedutoramente ─ Te levo onde estiver indo.
─ Não estou indo a um lugar específico ─ respondeu friamente. 
─ Então não fará mal algum você vir comigo, certo? 
Ele não queria ceder. Mas estava realmente muito frio.
E ela era linda. 
Entrou no carro repreendendo-se em silêncio. Que merda estava fazendo? Respirou fundo, tinha que manter o controle. Tentou focar a atenção na estrada, mas era difícil não olhar para ela: tão envolvida pela música que dava gosto de vê-la cantando baixinho.
O polegar direito batendo no volante ao ritmo da música, o cotovelo esquerdo apoiado na porta com os dedos entrelaçados ao cabelo, segurando mechas castanhas avermelhadas. Vista assim, parecia uma menina doce e romântica.
Visto assim, ele parecia admirar uma divindade. Ele respirou fundo e apoiou a cabeça no vidro, ao perceber como agia. Queria ser forte. Controlado. Olhou para o céu noturno e estrelado em busca de algum sinal, qualquer que fosse. Envolvido pela voz dela, desejou que de algum modo tudo aquilo fizesse algum sentido, desejou saber em que deveria acreditar. 
Ele era assim: cheio de dúvidas. Era na verdade, uma criança de cinco anos agindo como se fosse adulta por que tinha medo do mundo, tinha medo de crescer, medo de se decepcionar, medo de sentir, medo de... medo de tudo e de todos. Uma criança desconfiada. Tentava controlar o mundo para que ninguém fosse capaz de machucá-lo. Erguia muros ─ fortaleza seria um termo mais adequado­ ─ para manter-se seguro. E veja onde estava agora. 

Continua....
 
By Biatm ░ Cr�ditos: We ♥ it * Dicas e tutoriais da Jana